quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

PAUSA PARA OBSERVAR

    Costumo dizer que sou uma pessoa das águas. Este elemento me renova o espírito. Adoro rio, igarapé, cachoeira, mas tenho um encanto quase secreto pelo vento.

    Em dezembro, aqui costuma chover bastante e acabei lembrando que adoro pegar a estrada quando em uma ventania só para observar o entremeio das nuvens tomando forma de chuva, as folhas mortas caindo das árvores e sendo varridas para longe.

    É como se fosse a vassoura do planeta. Passa levando tudo que está solto ou o que não estava firme em suas raízes. Quando posso, gosto de sentir esse frescor "pré-chuva" no rosto. Nosso clima quente-úmido, trás a sensação de quase respirar água (umidade chega facilmente aos 95%), me sinto quase um peixinho fora d'água com pernas - ou seria dentro d'água? À esta ventania refrescante equatorial chamo carinhosamente de "vento de rio". Quando não estou perto do rio e o sinto, é como se estivesse recebendo um beijinho na face em forma de lembrete: "nos veremos em breve". 

    Fecho os olhos, alguma melodia imaginária toca em minha cabeça e agradeço o afago com um sorriso.

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